Se tem uma coisa que esse livro faz é dar uma sede dos diabos. Afinal, só se vê gente tomando uma cachacinha, o tempo todo, em qualquer circunstância – aliás, cachacinha não: vinho de boa qualidade, que nessa fase da vida, aos quase sessenta, Hank Chinaski, protagonista alter ego do autor, sofisticou-se, não mais metido em subempregos à cata de uns trocados, como noutros tempos e noutros romances, mas agora roteirista de Hollywood escorado em confortos e paparicos.
Sim, mantém-se vivo o espírito do escritor marginal (“Basicamente, era por isso que eu escrevia: para salvar meu rabo, salvar meu rabo do asilo de doidos, das ruas, de mim mesmo”), o viciado em corridas de cavalos, o desencanado com a vida (embora, curiosamente, tenha arrefecido o ardor do mulherengo, fiel que Chinaski tornou-se à presente companheira, Sarah).
Acima de tudo, porém, o que prevalece é a ode ao álcool, sem o qual nada se sustentaria no livro, muito menos as peripécias para filmagem do primeiro longa-metragem redigido por Chinaski, cujo enredo baseia-se em sua juventude irrigada essencialmente – desnecessário dizer – à bendita marvada.

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