10.7.17

Quando só restar o mundo, de Mauro Pinheiro


Um solitário operador da bolsa de valores congela sua vida sem perspectivas no Rio de Janeiro e parte numa viagem de carro rumo ao litoral da Bahia a pretexto de reencontrar a ex-namorada. Entre paradas em hotéis e restaurantes de beira de estrada, conhece uma mulher (super sexy, claro) com o filho pequeno e é envolvido numa trama policialesca que põe um belo agito à sua existência insossa.

Percebe-se que o autor não é nenhum iniciante, tem boas sacadas, boas construções, mas falta ousadia para ir além do básico e, por vezes, do clichê. (“Então era isso ter uma mãe. Alguém que estava com a gente para o que desse e viesse. Não eram seres muito diferentes dos animais selvagens que eu via nos documentários da tevê a cabo.”)

Cenas e sentimentos permanecem quase sempre na superfície, inibidos a ponto de frustrar o leitor mais interessado. Diálogos são particularmente ruins, tentativas canhestras de reproduzir a oralidade literal dos personagens.

O último terço alcança uma fluência acima da média, mas acaba obscurecido pelo desfecho forçado, pouco desenvolvido, mal geral de que padece o livro.

Não costumo dar tanta importância às capas, mas essa faz grande esforço para ser notada: é tão feinha que parece uma daquelas publicações amadoras bancadas pelo próprio autor. Inacreditável que tenha passado pelo crivo de uma editora do porte da Rocco.

Nenhum comentário:

Postar um comentário