7.4.17

Minha vida sem banho, de Bernardo Ajzenberg


A curiosa ideia do título não vinga. É apenas isca para tramas paralelas bem menos instigantes, envolvendo militância política na ditadura (zzzz...), casos amorosos de baixo impacto e enigmas do passado com os quais ninguém realmente se importa.

Apesar disso, a escrita de Ajzenberg é tão agradável e bem construída que o leitor se deixa conduzir pacificamente, aliviado pelos momentos em que o homem sem banho de fato assume o comando da narrativa e desenvolve seu peculiar projeto de empoderamento dos fluidos corpóreos.

O fim da eternidade, de Isaac Asimov


É um livro cheio de intrigas, mistérios e reviravoltas, ao melhor estilo folhetinesco, sem nunca abandonar a essência da clássica ficção científica.

A temática futurista, de viagem no tempo, não explora exatamente características detalhadas da civilização em séculos surreais como o 150 mil (embora mencione de passagem esse período inimaginável); a história se concentra numa espécie de limbo temporal – a “eternidade” do título – no qual uma comunidade formada por anciãos, sociólogos (!) e especialistas técnicos diversos mantém permanente vigilância sobre a humanidade. O objetivo é intervir, quando necessário, com pequenas alterações na realidade, de modo a preservar a existência do planeta e do próprio Homo sapiens.

Se há alguma ressalva, vale dizer que não é lá muito amigável a estratégia de Asimov de começar o romance atirando o leitor bruscamente no miolo desse universo repleto de elementos próprios e nomenclaturas exóticas.

Aqueles, porém, que superam a dificuldade do capítulo inicial são recompensados com uma obra notável, extraordinariamente criativa, que, inclusive, apresenta resposta plausível – sejamos otimistas... – a um dos maiores paradoxos da ciência teórica: se a viajem no tempo é possível, por que não somos visitados por turistas do futuro?

Predadores, de Pepetela


Entre idas e vindas temporais, apresenta um amplo painel da história angolana ao longo de 30 anos, de 1974 a 2004. Nesse período, acompanhamos a ascensão e queda de Vladimiro Caposso, ex-guerrilheiro ligado ao MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) que abandona as inclinações socialistas e torna-se um dos empresários mais poderosos do país. É um personagem fortíssimo, impositivo, sem escrúpulos, muito bem integrado numa sociedade em que a corrupção é instituto nacional e não se conhece limites ao poder de uma boa gasosa ofertada por baixo dos panos.