É isto um homem?, de Primo Levi
A descrição da rotina em Auschwitz é detalhada. Fome, frio, trabalho extenuante, o inverno que chega e expande os limites do até então considerado suportável pelo ser humano; o rápido sufocamento de noções de dignidade e autoconsciência em nome tão somente da sobrevivência; pequenas corrupções e escambos; idas à enfermaria como abençoados momentos de alívio; a escolha dos destinados às câmaras de gás. Ante o conhecimento progressivo da vida dos prisioneiros no maior campo de concentração nazista, não há como o leitor escapar, egoísta como todos em tempos cruéis, a considerações envolvendo sua própria existência bem-aventurada.
Trecho:
“É um homem quem mata, é um homem quem comete ou suporta injustiças; não é um homem que, perdida já toda reserva, compartilha a cama com um cadáver. Quem esperou que seu vizinho acabasse de morrer para tirar-lhe um pedaço de pão, está mais longe (embora sem culpa) do modelo do homem pensante do que o pigmeu mais primitivo ou o sádico mais atroz.”
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