O problema é que a ideia do bebê literato, filósofo, cientista político e apreciador de vinhos, embora transborde criatividade, não tem a menor chance de criar empatia com o leitor, por mais disposto que esteja em embarcar na brincadeira e até rir-se das boas tiradas. A sensação é de que se está a desperdiçar uma grande voz narrativa sob a roupagem de uma fantasia boba.
A história não traz muita ação, sobram monólogos empolados do embrião erudito e mesmo o elemento policialesco, que poderia acrescentar alguma carga dinâmica ao enredo, não se desenrola a contento – como ocorre, por exemplo, em “Solar”, excepcional romance do mesmo autor.
“Enclausurado” está longe de ser um livro ruim, e Ian McEwan tem muito crédito para gastar com as doideiras que quiser, mas a verdade é que, dessa vez, deixou um pouco a desejar.

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