Em grego: ποπ κορν.
Em búlgaro: пуканки.
Em nepalês: पपकर्न.
Foi o primeiro uso do milho como alimento. Há registros de sua existência há mais de cinco mil anos no território americano. Índios a preparavam mergulhando espigas inteiras em compartimentos cheio de areia quente, depois mexiam até que estourasse.
Adoro pipoca. É o snack mais barato que existe e pode ser deglutido sem culpa naqueles momentos agradáveis de pasmaceira cognitiva. É rica em proteína, sais minerais e antioxidantes. Mas para que você saia musculoso e serelepe depois de consumir uma bela baciada, a iguaria deve ter sido confeccionada sem uso excessivo de gordura nem acréscimo exagerado de cloreto de sódio.
Atentíssimo aos aspectos da boa nutrição, adquiri recentemente uma avançada pipoqueira elétrica da marca curitibana Britânia, modelo Pop Time Pip B-02 127 V. É dotada de base antiderrapante, porta-fio e botão liga/desliga. Adicionalmente, prepara pipoca sem necessidade de óleo, apenas com o poder do ar aquecido. A pipoca sai grande, robusta e branquinha, sem bagunça, sem intervenção humana, da máquina direto para a tigela da felicidade.
Vou à internet. O problema é apontado em diversos fóruns de discussão, como no “A Arte da Pipoca” e no alternativo “Pipoca dos Deuses”. A solução proposta: sal líquido. A gente nem liga para a existência de uma coisa até precisar dela.
Consideração segunda: sal líquido funciona, adere, mas mata a crocância. Murcha, emborracha, plastifica a pipoca. Agora parece óbvio, mas na busca pela pipoca perfeita deixamos o óbvio passar rindo da nossa cara. Além do mais, nas minhas dedicadas investigações sobre o tema, não encontrei uma só voz internética a precaver, a alertar, a conduzir incautos como eu à iluminação do bom senso.
De modo que presto aqui o serviço público.
Não desisto. Descubro que na verdade a pipoca transcendental, de acordo com a sabedoria dos granchefs, opõe-se a acessórios modernosos. Deve ser preparada em panela de barro e fogão a lenha. Há bons modelos disponíveis da marca pinhalense Clarice e da marca capixaba Paneleiras de Goiabeiras.
Chicão me olha enternecido. Sei que me apoia. Sigamos na luta.
Em nepalês: पपकर्न.
Foi o primeiro uso do milho como alimento. Há registros de sua existência há mais de cinco mil anos no território americano. Índios a preparavam mergulhando espigas inteiras em compartimentos cheio de areia quente, depois mexiam até que estourasse.
Adoro pipoca. É o snack mais barato que existe e pode ser deglutido sem culpa naqueles momentos agradáveis de pasmaceira cognitiva. É rica em proteína, sais minerais e antioxidantes. Mas para que você saia musculoso e serelepe depois de consumir uma bela baciada, a iguaria deve ter sido confeccionada sem uso excessivo de gordura nem acréscimo exagerado de cloreto de sódio.
Atentíssimo aos aspectos da boa nutrição, adquiri recentemente uma avançada pipoqueira elétrica da marca curitibana Britânia, modelo Pop Time Pip B-02 127 V. É dotada de base antiderrapante, porta-fio e botão liga/desliga. Adicionalmente, prepara pipoca sem necessidade de óleo, apenas com o poder do ar aquecido. A pipoca sai grande, robusta e branquinha, sem bagunça, sem intervenção humana, da máquina direto para a tigela da felicidade.
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| Como pude me submeter por tanto tempo à feitura medieval em panela? Atraso de vida. Pipocas queimadas, diminutas e que requerem presença constante do cozinheiro à beira do fogão, nunca mais |
Não preciso fazer esforço para acrescentar o sal, minha tremedeira emocionada salpica o tempero por conta própria. Dou uma balançada geral, experimento: devo ter errado na dose, está sem gosto. Ponho mais, mexo, espalho, torno a experimentar.
Constatação primeira: a bagaça não pega sal de jeito nenhum. Vai tudo para o fundo do recipiente sem antes passar pelo meio. Consulto meus conhecimentos científicos: culpa da falta de gordura, lógico. Sem gordura, sem melosidade, não há aderência, não há sal.
Vou à internet. O problema é apontado em diversos fóruns de discussão, como no “A Arte da Pipoca” e no alternativo “Pipoca dos Deuses”. A solução proposta: sal líquido. A gente nem liga para a existência de uma coisa até precisar dela.
O problema é que um frasquinho de sal líquido custa os olhos da cara. Pesquiso em quatro estabelecimentos do ramo. O produto da marca cabo-friense Cisne oscila entre R$ 15,00 e R$ 20,00. Onde vamos parar? Maldito Haddad.
Recorro novamente aos meus conhecimentos científicos. Ora, sal líquido nada mais é do que sal dissolvido em água. Santo Deus. Chega de sermos enganados pela perversa indústria dos alimentos. Soluções artesanais sempre que possível.
Bem, só preciso de um frasco tipo spray para concretizar meu plano. Lembro que vi no banheiro uma embalagem de repelente Off, já no finzinho. Reaproveitamento de materiais, o nirvana do consumo consciente.
Quando caminho à cozinha com o frasco na mão, meu cachorro desata a latir enlouquecidamente. Aponta o focinho para o Off. Fios encorpados de baba escorrem da sua boca. Receio contrariá-lo: toma aí, Chicão, seu egoísta da porra.
Acabo comprando um frasco novo em folha no mercado do japonês. (torço o nariz, me custa R$ 4,00, mas vá lá.) A receita: 200 ml de água, meia xícara de sal tradicional, tudo misturado, fervido por cinco minutos a 212 graus fahrenheit para facilitar a diluição, reservado por outros quinze minutos para sepultamento dos germes, e está pronto.
Recorro novamente aos meus conhecimentos científicos. Ora, sal líquido nada mais é do que sal dissolvido em água. Santo Deus. Chega de sermos enganados pela perversa indústria dos alimentos. Soluções artesanais sempre que possível.
Bem, só preciso de um frasco tipo spray para concretizar meu plano. Lembro que vi no banheiro uma embalagem de repelente Off, já no finzinho. Reaproveitamento de materiais, o nirvana do consumo consciente.
Quando caminho à cozinha com o frasco na mão, meu cachorro desata a latir enlouquecidamente. Aponta o focinho para o Off. Fios encorpados de baba escorrem da sua boca. Receio contrariá-lo: toma aí, Chicão, seu egoísta da porra.
Acabo comprando um frasco novo em folha no mercado do japonês. (torço o nariz, me custa R$ 4,00, mas vá lá.) A receita: 200 ml de água, meia xícara de sal tradicional, tudo misturado, fervido por cinco minutos a 212 graus fahrenheit para facilitar a diluição, reservado por outros quinze minutos para sepultamento dos germes, e está pronto.
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| Dá na mesma |
Monto a pipoqueira. Aciono o botão liga/desliga. Vem aquele descarrego de pipoca cheirosa e maravilhosa e fumegante. Dou umas jateadas de sal líquido caseiro. Provo.
Consideração segunda: sal líquido funciona, adere, mas mata a crocância. Murcha, emborracha, plastifica a pipoca. Agora parece óbvio, mas na busca pela pipoca perfeita deixamos o óbvio passar rindo da nossa cara. Além do mais, nas minhas dedicadas investigações sobre o tema, não encontrei uma só voz internética a precaver, a alertar, a conduzir incautos como eu à iluminação do bom senso.
De modo que presto aqui o serviço público.
Não desisto. Descubro que na verdade a pipoca transcendental, de acordo com a sabedoria dos granchefs, opõe-se a acessórios modernosos. Deve ser preparada em panela de barro e fogão a lenha. Há bons modelos disponíveis da marca pinhalense Clarice e da marca capixaba Paneleiras de Goiabeiras.
Chicão me olha enternecido. Sei que me apoia. Sigamos na luta.



Nem sempre a tecnologia faz um bom casamento com a culinária, rs
ResponderExcluirPode crer, Mi. Mas é difícil resistir às experimentações. Já tô de olho numa air fryer...
ExcluirArrasou. Mas é por isso que inventaram a pipoca de microondas!! hahaha
ResponderExcluirVocê não sabe o trabalho que me dá encontrar pipoca "de verdade" pra fazer na panela por aqui...
Hahaha!
ExcluirO Rubem Fonseca, numa crônica, discorre exemplarmente a respeito:
“O microondas deve ser evitado. Esse aparelho perverte o gosto do grão, tornando-o mais uma festifude (ainda não existe no dicionário) de gordura hidrogenada. Os infelizes, preguiçosos ou muito ocupados, que só provaram a microwave popcorn, podem achá-la palatável. Mas qualquer outra é melhor que ela, até mesmo essas de carrocinha, feitas com óleos de origem suspeita. Que esses pobres diabos façam nos microondas os seus ovos estralados de gemas perfuradas, mas não corrompam a pipoca (...)”
Por que será que é difícil encontrar milho in natura aí nos EUA? Não existe demanda, ainda que segmentada, por alimentos naturais, saudáveis, desintoxicados?
Valeu Thiago!!! Uma super aula sobre pipoca!!!
ResponderExcluirObrigado você pela visita, Rosi!
ExcluirThiago é só derreter a manteiga no dosador da pipoqueira, jogar por cima é adicionar o sal, fica uma delícia.
ExcluirSei que a pipoca não rendeu por aí, mas garanto que o texto rendeu aqui boas risadas em pleno expediente!
ResponderExcluirDizem por aí que panela de pressão é a melhor para estourar pipoca. Mas tem que ficar mexendo bem. Se eu fosse você, experimentaria porque eu por mim mesma faço a de micro-ondas e me dou por feliz.
beijos
Uia, método promissor, esse da panela de pressão! Impossível que os grãos não estourem doidamente. Vou testar. Valeu, Didi! Bjs.
ExcluirDepois me conta se deu certo! beijos
ExcluirEu a Lígia choramos de rir com aventuras pipoquescas !!
ExcluirFatos todos verídicos!
Excluire se borrifar o milho antes de levar à panela ?
ResponderExcluirou passar um pequeno fio de óleo ?
Óleo na pipoqueira elétrica não pode, danifica o equipamento.
ResponderExcluirBorrifar sal no milho antes de levar à panela, com um fio de óleo, pode ser que funcione, hein?
Tb encontrei essa dificuldade na minha pipoca com sal líquido. Tenho medo de colocar o sal no milho e oxidar minha querida pipoqueira made in China de uns R$30.mas arriscarei... Até agora a melhor solução foi colocando sal rosa direto na boca p depois ingerir a pipoca.
ResponderExcluirDepois conta pra gente se funcionou esse lance de borrifar sal líquido no milho antes de levar à pipoqueira. ;-)
ExcluirOlá, adorei o texto, ainda não encontrei um solução para a pipoqueira elétrica, mas tenho sugestões para a panela e o micro: No micro coloco sal água, e óleo/gordura de coco, coloco num recipiente de vidro com a tampa furada de micro em cima e levo ao micro (com água demora uns 8 min, e aderem bem o sal, sem água uso dois ciclos de pipoca porem não fica tão salgada); na panela coloco o óleo/gordura e sal e levo para estourar mexendo sempre, ambas ficam crocante não murcham e boas de sal. A de micro fica melhor, mas não gosto muito de micro então utilizo mais a panela.
ResponderExcluirEu tive a ótima idéia de colocar óleo dentro da pipoqueira! Começou a sair fumaça kkkkkk não sei se não acabou queimando a pipoqueira.. affs
ResponderExcluirEnquanto lia já tinha pedido para o meu esposo pegar o borrifador pra fazer o sal líquido hahaha...ótimo texto! Agora vou terminar de comer minha pipoca sem sal, mas antes vou derreter uma manteiga pra ver se melhora isso aqui, pq tá difícil rs
ResponderExcluirAbraços
Alguém ai experimentou borrifar o sal liquido numa distância maior?
ResponderExcluirJoga azeite e depois o sal. De nada
ResponderExcluirLi num site que se bater o sal na processador umas 1000 horas, ele fica bem fino e gruda na pipoca. Vou testar!
ResponderExcluirfuncionou?
ExcluirAguardando ansioso a solução proposta de bater o sal no processador kkkkk
ResponderExcluireu tb kkk
ExcluirOlá Thiago, estava na busca incessante de um bom resultado para salgar a pipoca, encontrei 2 soluções interessantes, a primeira é pegar o sal normal e passar no multiprocesdador para as partículas ficarem menores e aderir na pipoca, a outra é pegar uma igual medida de milho e água e acrescentar o sal e deixar repousar por 3 horas, enxugue em um pano e põe na pipoqueira, ainda não testei, mas acho que vai dar certo. Abraços
ResponderExcluirFaça uma mistura de água com sal bem concentrado, dilua-o, coloque num pulverizador que saia bem fino o jato, e coloque na pipoca logo que sair da panela pulverizando de LONGE pra não ficar molhada, só deve cair pequenas gotículas e evaporar na pipoca quente grudando o sal. Pode aproveitar aqueles "potinhos de spray" de garganta. Dica nerd.
ResponderExcluirSó usar o sal mifrolizado. Ele tem textura de Maizena e gruda perfeitamente na pipoca sequinha.
ResponderExcluirEu derreto manteiga e jogo por cima, depois salpico o sal e misturo tudo, não tira muito da crocância, fica mega gostoso, mas tira todo sentido da "pipoca saudável", ou seja, ou vc é saudável, ou vc come com gosto e sabor, afinal, o q é uma artéria entupida não é? Kkkkkkkkkkkk
ResponderExcluirAcabei de estrear a minha pipoqueira da marca Mondial. Fiz a minha pipoquinha que ficou linda, joguei azeite, sal do himalaia pois é mais úmido que os demais, e pimenta calabreza do moedor. Ficou sensacional, aprovada!
ResponderExcluirColoque as pipocas em uma vasilha e acrescente um fio de azeite, mexa com uma colher.
ResponderExcluirDepois para salgar usando o moedor de sal, ajuste bem fino .
Só fazer assim que da certo