23.11.16

Angosta, de Héctor Abad


Grata surpresa de romance distópico convenientemente afastado das bobagens juvenis que têm tomado conta do gênero nos últimos tempos. Na cidade de Angosta, ricos vivem em uma área exclusiva, enquanto o restante da população é tratado com escandaloso desprezo pelo governo e afunda à própria sorte. O protagonista, Jacobo, é um livreiro que transformou sua biblioteca particular em sebo e mora num hotel outrora ilustre no centro da cidade. Também no hotel, em um quarto-poleiro, vive o jovem Andrés, poeta sensível esculhambado pela família, em especial pelo irmão militar. Ao destino dos dois mistura-se a primaveril Camila, amante de um mafioso da área nobre de Angosta. Político, cruel, movimentado, “Angosta” é sobretudo um livro admiravelmente bem escrito, que depressa me fez ir atrás de outros títulos do autor colombiano e engatilhá-los para leitura em breve.

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