Grata surpresa de romance distópico convenientemente afastado das bobagens juvenis que têm tomado conta do gênero nos últimos tempos. Na cidade de Angosta, ricos vivem em uma área exclusiva, enquanto o restante da população é tratado com escandaloso desprezo pelo governo e afunda à própria sorte. O protagonista, Jacobo, é um livreiro que transformou sua biblioteca particular em sebo e mora num hotel outrora ilustre no centro da cidade. Também no hotel, em um quarto-poleiro, vive o jovem Andrés, poeta sensível esculhambado pela família, em especial pelo irmão militar. Ao destino dos dois mistura-se a primaveril Camila, amante de um mafioso da área nobre de Angosta. Político, cruel, movimentado, “Angosta” é sobretudo um livro admiravelmente bem escrito, que depressa me fez ir atrás de outros títulos do autor colombiano e engatilhá-los para leitura em breve.

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