Não que sejam desinteressantes as figuras que tomam conta do enredo e o desviam de sua proposta central; são, pelo contrário, todas elas criaturas muito curiosas, inclinadas a certos desvios cognitivos: há um sujeito que coleciona fotografias de animais sempre em três posições diferentes; outro dotado de um olho sobre-humano capaz de escrever frases minúsculas só identificáveis com ajuda de microscópio; e um outro ainda dedicado a redigir, em cadernos que se amontoam por gerações, sequências infinitas de números pares.
A questão é que, se eu quisesse ler histórias avulsas, com pouca ou nenhuma conexão entre si, escolheria um livro de contos, não um romance.
Ainda no campo das impressões não concretizadas, vale referência à capa e ao texto da orelha, cuja ambientação sugerida (“... em meio a uma paisagem de escombros...”) não reverbera no livro em si, bastante econômico nas descrições espaciais.
Outro aspecto que chama atenção é a alternância constante do ponto de vista narrativo, em terceira e primeira pessoas, sem aparente razão de ser. Incomoda também o excesso de fragmentação – são 15 capítulos e nada menos que 48 subdivisões, cada uma com um título individual, às vezes de teor enigmático, em cujas sofisticadas entrelinhas talvez escondam-se pistas para aquilo que o texto faz charme em revelar. Mas, aqui entre nós: quem vai se dar ao trabalho? A fila é grande; a obra, apenas razoável, não justifica semelhante dedicação extrafísica.
Ao leitor brasileiro, resta saborear as delícias do português lusitano – é um tal de “sítio” pra lá, “algures” pra cá, um repentino “miúdo” a pegar de surpresa e lembrar como as possibilidades do idioma podem ser amplas e belas.
Ainda no campo das impressões não concretizadas, vale referência à capa e ao texto da orelha, cuja ambientação sugerida (“... em meio a uma paisagem de escombros...”) não reverbera no livro em si, bastante econômico nas descrições espaciais.
Outro aspecto que chama atenção é a alternância constante do ponto de vista narrativo, em terceira e primeira pessoas, sem aparente razão de ser. Incomoda também o excesso de fragmentação – são 15 capítulos e nada menos que 48 subdivisões, cada uma com um título individual, às vezes de teor enigmático, em cujas sofisticadas entrelinhas talvez escondam-se pistas para aquilo que o texto faz charme em revelar. Mas, aqui entre nós: quem vai se dar ao trabalho? A fila é grande; a obra, apenas razoável, não justifica semelhante dedicação extrafísica.
Ao leitor brasileiro, resta saborear as delícias do português lusitano – é um tal de “sítio” pra lá, “algures” pra cá, um repentino “miúdo” a pegar de surpresa e lembrar como as possibilidades do idioma podem ser amplas e belas.

Nenhum comentário:
Postar um comentário