6.12.17

As Rãs, de Mo Yan


Ter um Nobel no currículo faz a gente esperar muito do escritor, e esse é o maior problema com Mo Yan e seu “As Rãs”. Visto isoladamente, com seus méritos e excessos, é um bom livro, digno de três estrelas. Atribuído ao ganhador da maior honraria da literatura, produz questionamentos na cabeça do leitor: “É só isso?”

A história começa com recordações de infância do narrador, aspirante a dramaturgo, contadas de maneira leve e agradável. Mas o centro do enredo logo é tomado pela política chinesa do filho único e as implicações provocadas em comunidades do interior do país. Wan Coração, funcionária do governo comunista e tia do narrador, é a personagem forte do romance. Ginecologista responsável por “sete ou oito mil partos”, também faz cumprir à risca a lei do planejamento familiar, executando abortos forçados em milhares de mulheres, ferrenha seguidora das diretrizes do partido.

Apesar das interessantes referências históricas e alguns momentos de acentuado poder dramático, “As Rãs” se arrasta demasiadamente pelos mesmos conflitos e problemáticas, a ponto de a leitura às vezes tornar-se um suplício. Fosse mais enxuto uma boa centena de páginas, teria muito a ganhar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário