6.12.17

Matéria escura, de Blake Crouch


Começa um tanto arrastado, flertando com um clima sério de drama familiar que não lhe pertence. O sequestro do protagonista Jason Dessen logo traz a ação e o movimento vendidos pelo marketing da editora, mas ainda assim num ritmo desregulado, vagaroso demais, com muitas cartas escondidas que mantêm o leitor numa incômoda penumbra em relação à proposta e ao rumo da história.

Os holofotes enfim são acesos com a entrada em cena pra valer do artefato construído por Jason no misterioso mundo ao qual foi transportado. Aí o romance passa a distribuir, sem miséria, sua abundante reserva criativa, explorando engenhosamente situações bizarras que a navegação por multiversos criaria, veloz na medida exata e com surpresas garantidas lance a lance – o que é aquela cena da sala de bate-papo, senhoras e senhores? Estupenda!

Em qualquer outro contexto eu implicaria com a verdadeira peste que são os parágrafos de uma só linha (qual a dificuldade de se desenvolver trechos minimamente sólidos e lineares?); também questionaria o pouco detalhamento dado aos aspectos científicos que envolvem a máquina capaz de se deslocar por realidades paralelas; mas dessa vez deixo as picuinhas de lado e fico mesmo com a lembrança dos ótimos momentos de diversão que o conjunto da obra me proporcionou, aquela fissura de devorar um livro que há muito eu não sentia.

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